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19-Jan-2017 16:04
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Fumonisina: um problema que não sai de moda - por Juliana Batista

milho e soja, fotos atualizadas
Milho e Soja
Ano após ano, safra após safra, crise após crise: a cadeia avícola evolui mas alguns problemas se repetem. Esse é o caso das micotoxinas nos grãos e, mais particularmente, a fumonisina. As fumonisinas são metabólitos fúngicos secundários produzidos por Fusarium. As espécies produtoras são mais comumente isoladas no milho, no entanto, todo cereal cultivado pode apresentar contaminação por fumonisinas. A infecção por Fusarium spp. causa doenças em todos os estágios de desenvolvimento do milho, infectando raízes, caule e grãos, no entanto, esses danos não são visíveis. E por não serem visíveis, é exatamente aí que mora o perigo.

Das fumonisinas identificadas até o momento, as Fumonisina B1 (FB1), FB2 e FB3 são as mais isoladas em alimentos naturalmente contaminados, sendo que a FB1 é quase sempre a mais abundante, representando cerca de 70% da concentração total das fumonisinas detectadas. A síntese de fumonisinas depende de fatores como a susceptibilidade da planta à infecção, o potencial do fungo para sintetizar a toxina, as condições de higidez da planta, além é claro das práticas utilizadas no manejo de colheita e estocagem dos grãos.

Em aves, nenhuma síndrome relacionada à intoxicação por FB1 foi descrita até o momento, no entanto, danos significativos do ponto de vista zootécnico podem ser observados principalmente em perus e frangos de corte. É importante destacar que dificilmente se encontram apenas as fumonisinas atuando isoladamente na natureza. É mais comum observar seus efeitos associados a outras micotoxinas, como as demais fusariotoxinas ou aflatoxinas.      

Os principais efeitos descritos para a intoxicação por fumonisinas em frangos de corte são as reduções na conversão alimentar, no ganho de peso e no peso corporal, além de mortalidade, diarreia, ascite, edema e congestão renal. Podem ser observados também o aumento do peso do fígado, proventículo e moela. Elevação da atividade das enzimas GGT, AST e LDH, creatina quinase e colesterol com redução dos níveis séricos de proteínas totais também são descritos pela literatura. 

A incidência e os efeitos deletérios das fumonisinas nas aves é um problema silencioso. Roubando aos poucos a margem do produtor, pode significar o sucesso ou fracasso na atividade. Por isso, a palavra de ordem no controle das fumonisinas é o gerenciamento: definição dos contratos de compra de grãos, condições de armazenagem, planos de amostragem para a quantificação precisa, diagnóstico e escolha dos produtos apropriados no combate ao problema podem evitar grandes perdas para a produção avícola.

Avicultura Industrial

Juliana Batista

Juliana Batista é Médica Veterinária, Mestre em Produção Animal e Especialista em Nutrição Animal, Vaccinar

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