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16/07/2002 11h04 - Atualizado em 20/04/2016 02h35

Receita com embarque de frango cai 9,5% até junho

Redação AI 16/07/2002 - Num cenário bem distinto daquele de 2001, as exportações brasileiras de carne de frango registraram uma queda de 9,5% em receita no primeiro semestre deste ano em relação a igual período do ano passado. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), a receita das vendas de carne de frango in natura somou US$ 566,4 milhões no período. Os volumes embarcados no primeiro semestre cresceram, mas num ritmo bem mais modesto que em 2001. O aumento foi de 3,94%, para 613,6 mil toneladas, conforme a Abef.

Considerando apenas o mês de junho, a receita com as exportações de carne de frango desabou em relação a igual mês de 2001. As vendas totalizaram US$ 81,7 milhões, recuo de 30%. Os volumes também caíram - 11,1% - para 94 mil toneladas.

A queda nos preços do frango na exportação explica o recuo da receita no semestre. A perda no frango inteiro é mais significativa: em comparação com os primeiros seis meses de 2001, a tonelada caiu 20,28%, para US$ 718. Já o preço médio do frango em cortes na exportação recuou 10,17% para US$ 1.077 por tonelada, segundo a Abef.

Para Jurandi Machado, analista do Instituto de Planejamento e Economia de Santa Catarina (Icepa), o pior desempenho das vendas externas se deve à maior oferta de frango no mercado internacional e à menor demanda. "Não há pressão de demanda porque diminuiu a paranóia com a vaca louca na Europa", analisa.

Mas há quem culpe principalmente a crescente oferta brasileira pela situação do mercado. "Sem dúvida, o grande vilão é o Brasil", afirma uma fonte da indústria. "O pior é que a demanda do Oriente Médio deve continuar pressionada por causa do verão", completa a mesma fonte.

A oferta brasileira de frango vem crescendo mês a mês porque as exportações em 2001 estimularam o alojamento de pintos de corte. Só em maio, o alojamento cresceu quase 15%, para 326 milhões de unidades, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Pinto de Corte (Apinco).

Machado, do Icepa, afirma, porém, que a oferta no mercado mundial é maior porque a produção de frango cresceu também na Europa e na Rússia.

Mas ele reconhece que as promessas da indústria brasileira de reduzir a produção de frango para equilibrar a oferta ainda não surtiram efeito.

Pelos números da Abef, o mercado que mais caiu em receita no semestre é a Europa - atrás, é claro, do Mercosul. As vendas de cortes de frango (principal item da pauta) somaram US$ 162,5 milhões, queda de 23,37% ante igual período de 2001. O Oriente Médio, que compra basicamente frango inteiro, também teve forte recuo. A receita com as vendas externas do produto totalizou US$ 136,8 milhões, recuo de 28%, de acordo com a Abef.

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