Dignidade, relações interpessoais, diálogo determinam liderança, pessoas produzem se sentindo bem, colaborador feliz é igual à produtividade/lucro, por isso, o líder deve cuidar bem de sua equipe. Importante é integrar diferentes gerações em um mesmo local, sendo possível aprender com todos, principalmente, com jovens, que trazem idéias novas. Investimentos no crescimento técnico/profissional desvinculado do desenvolvimento humano têm efeitos de curto prazo e o líder deve dizer aos colaboradores o que espera, oferecendo feedback, dando retorno de suas ações e comportamentos. Feedback é uma técnica eficaz de comunicação, crescimento e desenvolvimento humano, estabelecendo-se um processo de compreensão, respeito e confiança numa relação, nele encontramos pontos valiosos do outro, criamos abertura e construímos uma comunicação efetiva, tornando o diálogo agradável, leve e eliminando conflitos no ambiente profissional e pessoal. Poucos são habilidosos para dizer o que precisa sem ferir ou magoar e Líderes devem ter consciência de que, além de palavras, há nuances diferentes, gerando energias percebidas e é por meio delas que a comunicação se processa. Um olhar, tom de voz, franzir de testa, levantar de sobrancelhas pode comunicar mais que palavras. Importante para liderar com sucesso é delegar, não se isentando da atividade, ou seja, a responsabilidade continua sendo de quem delegou. Existem passos importantes para delegar com sucesso: fazer uma lista do que precisa ser feito, classificar por prioridades, responder às questões: "Quais tarefas só você poderia fazer?", "Quais delas você poderia dividir com outros" e "Quais poderiam ser feitas totalmente por outras pessoas com ou sem orientação sua?", escolher prioridades a serem delegadas, definir objetivo de cada trabalho (por que aquilo precisa ser feito?) e suas expectativas (como deve ficar depois de pronto?).
O mundo dobrará a oferta de alimentos, de energia renovável e a FAO diz que 70% virão da tecnologia, 10% da intensidade de ciclos agrícolas na mesma área e 20% de novas áreas agrícolas. Terra vale ouro, expansão de novas fronteiras limitada e relação de posse das terras agricultáveis mudaram de figura, sendo um dos ativos que mais valorizaram no mundo nos últimos 5 anos, Brasil e Sudão são as duas reservas maiores do planeta, neste quesito. Desafio, também, é da população: gente: crescemos com 4 nascimentos por segundo, seremos 9 bilhões, já somos 7 bilhões, esse novo habitante está completamente conectado e interligado, internet além de conexão via celulares, computadores, televisores, vira nas coisas (chuveiro, micro ondas, fogão, carro). Não só a produção alimentar dobrará, mas sua qualidade, matérias primas produzidas a partir do campo passam a se importar cada vez mais na análise percebida de marcas dos processadores e distribuidores de alimentos, fibras, energia, proteínas e demais derivados do agronegócio. Alimento, energia, sua produção, distribuição e percepção pelos mercados interconectados se transformam em um novo desafio a gestão de toda a cadeia de valor, desde o antes, durante ao pós porteira das fazendas.
Inovação, gestão da tecnologia e seu ciclo de vida, problema não é mais contar com uma tecnologia avançada e sim com mais de uma, tendo nessa diversidade tecnológica exigindo de produtores, indústria química, mecânica, genética e processadores um nível de diálogo "online". A área acadêmica e pesquisa não resistirão à falta dessa velocidade, bem como a gestão do agronegócio. Quem será o produtor ou empreendedor rural daqui a 10 anos, como serão quantos existirão? Quais os segmentos, nichos? Quais as competências desse novo quadro humano? Presente passa a ser o resultado do futuro, o que já temos agora, quais os sinais que já captamos neste instante que nos revelam a jornada e a janela do amanhã? Antever movimentos (proatividade) é desafio de Lideres, sendo fundamental a construção de marcas que resistam ao tempo, produto fazemos na indústria ou campo (alimento de frango), marca construímos na mente apaixonada das pessoas.
Empreendedor rural, universo a ser revisto, incluindo imprevisibilidade cíclica do mundo, no qual numa crise européia se assiste um êxodo ao contrário: urbanos saem da cidade e iniciam negócios no campo, intrigando executivos e gestores do agronegócio, que sem marketing é só agro, sem negócio, pra isso devemos colocar a mente humana no centro das decisões. Quanto sabemos de novos clientes oriundos da base da pirâmide planetária? Desses atuais 7 bilhões, praticamente a metade são novos entrantes. O macarrão, como exemplo, penetra em 100% nas residências do Brasil e somos o 3º maior mercado mundial de massas, com a ascensão da classe C, quase 100 milhões de consumidores, terão acesso a ela, proteínas, hortifrutis, fibras, cana, cacau, arroz,... Terra, pessoas, alimento, energia, tecnologia, produtor do futuro, marketing e daqui a uma década como será? Diálogo com sociedade e atualização são fundamentais aos lideres do agronegócio, construindo empresas com nova inteligência pedagógica e/ou andragogica passa ser vital. Antigamente pensávamos, depois fazíamos e dando tempo: sentíamos. Agora, começamos fazendo, ao fazer sentimos e ao sentir pensamos com prudência para não cairmos em grandes erros de líderes bem intencionados, mas que caem em distrações com perda de foco. Velocidade quase instantânea e desafios do agribusiness precisam estar embalados por um novo tripé: fazer, sentir e pensar.Valter Bampi, médico veterinário, professor universitário e especialista avícola.