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05-Jun-2019 08:23
Comentário Avícola

A transição do convencional para livre de antibióticos exige planejamento

Por: Eva Hunka – Médica Veterinária, MSc em Medicina Veterinária Preventiva

Recentemente nos deparamos com a notícia que mais da metade de todo frango produzido nos EUA em 2018 foi livre de antibióticos, este percentual que era de aproximadamente 3% em 2014, chegou a 51% no último ano. Realmente incrível!

Ver um aumento tão significativo deste tipo de produção em um período relativamente curto, pode nos fazer pensar que esta transição é simples e que em muito pouco tempo a criação convencional deixará de existir. Mas não podemos esquecer que estes medicamentos também são necessários e seu uso racional deverá permanecer como uma importante ferramenta de controle de infecções e doenças nos plantéis.

Quando falamos em produção sem antibióticos, temos que considerar dois modelos de criação; o sem antibióticos e o NAE (No Antibiotc Ever), onde este último é o que vem crescendo de forma acelerada nos EUA. No modelo NAE, não se utiliza nenhuma droga com ação antibiótica, e isso inclui algumas drogas anticoccidianas, os ionóforos, que possuem alguma atividade antimicrobiana, e estes estão sendo substituídos por anticoccidianos sintéticos como a Nicarbazina e o Decoquinato.

Além da coccidiose, a Enterite Necrótica também é uma importante causa de uso de antibióticos nas criações e para esta enfermidade, poucos produtos alternativos se mostraram realmente eficientes. Por isso a transição deve ter um planejamento adequado e que deve envolver todos os níveis de produção, desde a granja de matrizes até o abatedouro, passando, inclusive, pelo incubatório, fábrica de ração e integração.

Em uma criação sem antibióticos o programa vacinal das matrizes deve ser o mais robusto possível, para que o pintinho tenha uma imunidade passiva adequada aos desafios. Os cuidados vão além dos programas vacinas, pois devemos garantir que estas vacinas sejam aplicadas na idade correta e com todos os cuidados necessários na sua aplicação, inclusive com a cadeia fria.

Ovos de cama têm maior contaminação, e em um sistema NAE, o melhor é que os mesmos sejam descartados.

Outro grande gargalo é a retirada dos antibióticos no incubatório (gentamicina, ceftiofur, kanamicina, etc). Quando os incubatórios param de usa-los, logo descobrem que muitas deficiências estavam senda mascaradas, e ocorre o aumento da mortalidade na primeira semana.

Ainda no incubatório, precisamos redobrar os cuidados nas linhas de ar, qualidade da áqua, limpeza e desinfecção de equipamentos, além de cuidados com a higiene pessoal e controle de entrada de pessoas. Fazer controle microbiológico periódico em pontos críticos é uma boa prática que deve ser adotada.

O programa vacinal do frango de corte também deve ser estrategicamente pensado para os principais desafios da região e para o período do ano, visto que alguns problemas, principalmente respiratórios, são mais frequentes em épocas onde temos mais variação de temperatura e umidade. As vacinas representam muito pouco no custo de produção e nos casos de produção NAE, não devemos economizar.

Durante as primeiras semanas de vida do pintinho, os cuidados com a cama, ventilação, densidade e com a ração, são primordiais para evitar o aparecimento da Enterite Necrótica. Nesta fase é realmente necessário um investimento maior, principalmente na qualidade da matéria prima para garantir um bom desenvolvimento e preservar a saúde intestinal.

A Coccidiose e a Enterite Necrótica são companheiras e aliadas quando o assunto é uso de antibióticos (neste caso estamos considerando os ionóforos também) e ambas precisam ser controladas. O uso de vacinas contra coccidiose é uma excelente alternativa para rotacionar o programa de controle com os anticoccidianos sintéticos, elas renovam a população de coccidias e promovem uma vida útil maior para as drogas usadas rotineiramente.

Ainda podemos lançar mão de produtos alternativos como os pre-bióticos, probióticos, ácidos, óleos, enzimas, etc, que auxiliam no combate a doenças e melhoram a saúde intestinal. O uso destes produtos é válido, porém alguns deles podem não ser compatíveis para utilização conjunta e a adição destes na ração deve ser avaliada pelo nutricionista.

Redação AI

Eva Hunka

Eva Hunka é Medica Veterinária e Mestre em Medicina Veterinária Preventiva.

 

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