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02-Abr-2012 15:03 - Atualizado em 20/04/2016 14:43
AveSui 2012

AveSui: Produtor terá ano de custos elevados

No que depender dos preços do milho e da soja a dor de cabeça dos produtores de aves e suínos vai continuar em 2012. A combinação entre demanda mundial aquecida, estoques apertados, forte demanda asiática e quebra da safra na América do Sul deve manter os preços dos grãos “muito firmes”. O diagnóstico é do economista José Roberto Mendonça de Barros, diretor da MB Agro. “As demandas mundial e local estão aquecidas, a China se tornou um grande importador de milho e a tivemos uma quebra de safra na América do Sul. Nesse cenário os preços mantêm-se firmes e seguirão relativamente sustentados”, prevê o economista.

O alto preço dos insumos de alimentação foi o principal entrave enfrentado pelos setores de aves e suínos em 2011. Com os preços do milho e da soja em alta, os custos de produção de dos dois setores se elevaram, achatando a rentabilidade avicultores e suinocultores. O calvário segue neste ano.

Quebra de safra e demanda asiática - De acordo com Mendonça de Barros, a quebra de safra na América do Sul, em especial na Argentina, e o “apetite” chinês por grãos manterão a cotação das commodities agrícolas elevas, pelo menos em curto e médio prazos. “Talvez não seja tão apurado para o produtor de aves e suínos quanto foi no ano passado, mas não vejo grandes quedas nos preços do milho e da soja com esta situação de oferta e demanda em 2012”, afirma o economista.

Mendonça de Barros explica que a seca de dezembro-janeiro na América do Sul, prejudicou significativamente as colheitas de milho e soja, especialmente na Argentina, elevando os preços e gerando incertezas no mercado, que está mais especulado. “A seca, principalmente na Argentina, atrapalhou a colheita na América do Sul reduziu a oferta de milho e soja num momento de demanda firme, por isso os preços seguem sustentados”, afirma.

A quebra de safra na América do Sul não foi pequena. Além de perdas no Brasil, a seca comprometeu a colheita de milho e soja da Argentina, grande produtor de commodities agrícolas. O governo argentino projeta uma safra de milho de 21,2 milhões de toneladas nesta safra, enquanto a colheita de soja 2011/12 foi estimada em 44 milhões de toneladas. As projeções iniciais haviam previsto o milho em 30 milhões de toneladas e a soja em 53 milhões de toneladas.

Outro fator que pressiona os preços do milho e da soja, explica Mendonça de Barros, é a demanda asiática. Ao contrário do que muitos economistas esperavam, a demanda asiática por alimentos continua crescendo, apesar da desaceleração econômica do continente. “A China, que já é o maior importador de soja, tornou-se um comprador líquido de milho nos últimos anos e não há indícios de que isso venha a mudar”, afirma Mendonça de Barros.

Historicamente exportadora de milho, a China passou a importadora em 2009 e, no ano passado, foi responsável pela compra de cerca de 5 milhões de toneladas do cereal. Segundo o economista, muitos analistas e os próprios chineses afirmam que o gigante asiático deve ultrapassar o Japão e assumir o posto de maior importador de milho nos próximos anos. O “apetite” chinês deve, já neste ano, apertar a já baixa oferta global de milho e pressionar os preços internacionais do cereal.

Mendonça de Barros foi um dos palestrantes do Painel Conjuntural, realizado na manhã de hoje (02/04), na Avesui América Latina.  Maior evento das cadeias produtivas de aves e suínos da América Latina, a AveSui segue com intensa programação até quarta-feira (04/04).

Redação Avicultura e Suinocultura Industrial, de São Paulo (SP)
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