Guia Gessulli
22-Jan-2019 11:33 - Atualizado em 23/01/2019 08:15
Bem-estar animal

Com altas temperaturas, avicultores devem redobrar atenção

O estresse térmico representa uma ameaça crescente para a produção avícola, as temperaturas reduzem o consumo de alimento e podem até a levar a morte das aves.

O calor excessivo é um importante fator ambiental que além de prejudicar o bem-estar animal, também afeta a produtividade dos avicultores, visto que as altas temperaturas reduzem o consumo de alimento e podem até levar à morte das aves.

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Paulo Abreu, explica que o estresse devido ao calor se produz quando existem temperaturas ambientais acima da zona de termoneutralidade das aves e se intensifica na presença de alta umidade relativa e ausência de movimento do ar. “Fisiologicamente as aves respondem ao estresse calórico aumentando os mecanismos de dissipação de calor e diminuindo a produção de calor metabólico. Durante os períodos quentes o estresse térmico depende grandemente da ave. Isto é, idade e tamanho, estágio produtivo e das instalações.”

O Brasil está passando por um verão de temperaturas elevadas e com altas taxas de umidade, o que aumenta ainda mais a sensação de calor e abafamento. O especialista da empresa Cobb, Luís Januário, explica que para prevenir o estresse causado pelo calor nas aves, algumas medidas podem ser tomadas. “A prevenção disto vai desde o simples sombreamento por árvores ou telas polissombras, ventiladores internos, exaustores para a ventilação de pressão negativa, nebulizadores que, cada vez mais, possuem alta pressão,  placas de resfriamento adiabático evaporativo, passando por telhas, cortinas de forros, materiais isolantes, e, incluindo no pacote, estratégias nutricionais com substancias ou nutrientes que ajudem a ave a enfrentar o estresse térmico pelas altas temperaturas”, explica.

Outro fator que impacta no controle de temperatura dos aviários é a falta de energia elétrica, pois a avicultura é altamente dependente do fornecimento energético em quantidade e qualidade. Abreu explica que um gerador é essencial para esses casos. “Como medida preventiva na falta de energia elétrica, a granja deve possuir gerador de energia para manter os sistemas de climatização em funcionamento evitando a mortalidade das aves. Esses geradores devem garantir o pleno funcionamento dos equipamentos do aviário por pelo menos 1 hora até o restabelecimento da queda de energia. Como energia, os geradores, podem ser de óleo diesel ou estarem conectados à tomada de força do trator. Na falta de gerador, durante a queda de energia os avicultores devem adotar algumas medidas para amenizar o calor.”

Os avicultores devem estar sempre atentos as condições climáticas, para que possam agir antecipadamente, diz. Outra dica do pesquisador da Embrapa é com a alimentação e hidratação das aves. “Devem retirar a alimentação nos horários mais quentes e fornecer a alimentação no período mais fresco; fazer o flushing dos bebedouros para renovação da água; quando possível, adicionar gelo na caixa d’água.”

Investimento em bem-estar e produtividade

Novas tecnologias permitem reduzir o impacto das altas temperaturas proporcionando à ave condições ideais de conforto térmico. Januário conta que indústrias fornecedoras de equipamentos em conjunto com as entidades de pesquisas têm propostos soluções e equipamentos para controle da ventilação e resfriamento do ar cada vez mais eficientes e econômicos. “Isso tem permitido o desenvolvimento da avicultura brasileira mediante a redução do estresse calórico, proporcionando, dessa forma, melhoria dos índices de desempenho das aves”, completa.

Entre as novas tecnologias, o pesquisador cita o túnel de ventilação conjugado ao sistema de resfriamento evaporativo (“pad cooling” ou nebulização) como tendo uma boa aceitação no mercado brasileiro. “Com a adoção dessa tecnologia buscam-se aviários pouco influenciados pelas condições climáticas externas, o que condiciona ao emprego de materiais com bom isolamento térmico como o poliuretano, poliestireno, fibra de vidro, isopor entre outros.”, explica.

Outras tecnologias citadas pelo pesquisador são os aplicativos para smartphones ou tablets, que monitoram o ambiente e aves e emitem sinais de alerta para temperaturas altas com antecedência. “Com a implantação de aviários cada vez mais independentes da temperatura externa, a automação se faz necessária para que o controle interno das características físicas ambientais seja mais preciso, oferecendo uma zona de conforto térmico, ideal para as aves.”

Para o especialista da Cobb, as decisões mais importantes num projeto ou adequação de granjas passam pela orientação Leste-Oeste do aviário, pelo tipo de telhado, onde a preferência é sempre para superfícies de maior resistência à radiação solar. “Um exemplo disto são as telhas de fibrocimento, porque não são bons isolantes quanto as telhas de aço galvanizado com alumínio, que são menos isolantes que telhas termoacusticas, que são menos isolantes que o conjunto de forro interno com algum tipo de material isolante como lã de vidro, lã de rocha, celulose, que são muito utilizados nos países do hemisfério norte e tem se difundido em outras partes do mundo.”

Em relação aos custos, Januário afirma que quanto melhor o isolamento e a resistência do telhado à radiação solar, menos gasto de energia de resfriamento e ventilação no aviário, e menor gasto de combustível e energia de aquecimento aos pintinhos no período de pinheiro. “O custo de aquisição das melhores estruturas de isolamento, claro, requerem maior valor de orçamento. É importante lembrar que é preciso sempre fazer as contas de retorno de capital investido. Muitas vezes, pela escassez e custo de energia, a maneira mais efetiva de contribuir com alta tecnologia e eficiência,  é isolar os galpões com melhores superfícies e estruturas que ajudem as economizar na manutenção das condições ideias internas de ambiência as aves.” Finaliza.

Redação AI
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