Guia Gessulli
08-Nov-2018 14:56
Reunião

Comissão de avicultura da FAEP encerra 2018 de olho no futuro

Última reunião do ano discutiu perspectivas do setor

Avicultores de diversas regiões do Paraná estiveram na sede da FAEP, em Curitiba, no dia 8 de novembro para reunião da Comissão Técnica de Avicultura. Este foi o último encontro de 2018, ano em que o setor enfrentou diversos percalços, como o embargo europeu, acusação de dumping da China, greve dos caminhoneiros e fechamento parcial do mercado árabe.

Segundo o presidente da comissão, Carlos Bonfim, que produz aves em Carambeí, região dos Campos Gerais, é preciso alinhar as questões mais relevantes do setor para serem encampadas pela comissão. Mais uma vez, a principal reivindicação dos participantes são condições mais justas de produção e remuneração por parte das agroindústrias integradoras. O Paraná é o maior produtor e exportador de frango do país e a grande maioria desta atividade é realizada no sistema de integração. “Para o ano que vem temos que bater forte a parte de remuneração. As Cadecs têm que pegar bem firme, e a hora que não der certo com a Cadec, vem para o núcleo”, afirmou, referindo-se às Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs), que são espaços para diálogo e negociação entre produtores e indústrias. Este ano, a FAEP promoveu a criação do Núcleo de Cadecs, onde são discutidas as questões que são comuns a mais de uma unidade produtiva da mesma empresa. Desta forma, seriam tratadas de questões recorrentes e a um grande número de avicultores, junto às instâncias superiores das integradoras.

De acordo com Bomfin, ao lado da questão da remuneração, hoje os principais entraves da atividade referem-se aos altos custos de mão de obra, encargos trabalhistas, lenha/combustível e energia elétrica. “É isso que mata a gente”, pontuou.

Após as considerações iniciais, onde foram levantadas as principais questões de cada região produtora, foi realizada uma apresentação sobre o eSocial, novo sistema eletrônico do governo federal que centraliza e a administração das informações relacionadas à questões de trabalho e previdência. Na ocasião o advogado Eleotério Czornei, do departamento jurídico da federação, discorreu sobre os cuidados que os avicultores devem tomar quando este sistema entrar em vigor, em 2019.

Na sequência, o diretor corporativo de agropecuária da JBS Foods, Osório Dal Bell, falou sobre os desafios para a sustentabilidade da agricultura. Para isso é necessário que a produção tenha resultados financeiros positivos, de forma continuada, com respeito ao meio ambiente e contribuindo para o bem-estar social.

Segundo Bell, o sistema de produção avícola precisa ser capaz de operar em ambientes de desafios, pois estes serão cada vez mais constantes no futuro. “À medida em que os desafios aparecem, o sistema busca um jeito de se adaptar”. Para ele, um dos primeiros desafios que devem ser enfrentados é a sanidade, pois uma vez que este item é negligenciado, os reflexos são graves, como fechamento de mercados consumidores.

Segundo ele, as perspectivas da JBS no ano que vem são de pouco crescimento. “Deve andar meio de lado no Brasil, mas a operação nos EUA e na Austrália está bem”, destacou. Para o futuro, Bell elencou algumas questões que devem surgir no horizonte ada avicultura mundial, como: novas tecnologias (que chegam ao campo cada vez mais rápido), proteínas alternativas (carne artificial), bem-estar animal, rastreabilidade e transparência para com os consumidores. Neste cenário futuro, como no atual, quem deve nortear estas transformações, segundo o diretor da JBS, é a sanidade animal.

Redação AI
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