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Evento

Conectividade e construção de habilidades digitais são fundamentais para a expansão de tecnologias entre os pequenos produtores agropecuários

O evento “Dinâmicas e perspectivas do AgriTech na América Latina”, organizado pela Sociedade de Agricultores da Colômbia (SAC) e pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), teve como palestrante o Diretor Geral do IICA, além de funcionários do BID e da Microsoft.

Conectividade e construção de habilidades digitais são fundamentais para a expansão de tecnologias entre os pequenos produtores agropecuários

Conectividade, alfabetização digital, soluções tecnológicas práticas e adequadas às necessidades reais dos pequenos e médios produtores, bem como parcerias público-privadas efetivas, são elementos medulares para se expandir a adoção e a implementação do AgriTech na América Latina e no Caribe (ALC).

Nisso concordaram os peritos convocados para o quinto evento da série Conversas pendentes sobre o campo, iniciativa da Sociedade de Agricultores da Colômbia (SAC) e do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), que aborda as tendências e os desafios globais que estão transformando os sistemas agroalimentares e as ações e inovações que se deve adotar para aproveitar oportunidades, mitigar riscos e enfrentar os desafios que essas transformações trazem para o setor agrícola.

Do novo diálogo, Dinâmicas e perspectivas do AgriTech na América Latina, participou o Diretor Geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Manuel Otero, além da especialista sênior do BID Lab, Ana Castillo, e o Diretor de Assuntos Corporativos, Externos e Jurídicos da Microsoft Colômbia, Andrés Rengifo.

A conversa foi moderada pelo jornalista do noticiário colombiano CMI, Juan Armando Rojas.

A palavra AgriTech, ou AgTech, engloba uma amplíssima gama de novas tecnologias que se aplicam na agricultura a fim de aumentar a sua eficiência, produtividade e sustentabilidade e que, conforme os especialistas ressaltaram nesse evento, é crucial para a transformação dos sistemas agroalimentares, a garantia da segurança alimentar e nutricional, a redução das lacunas existentes entre o urbano e o rural e a melhoria das condições de vida dos agricultores familiares.

“Com as novas tecnologias podemos e devemos incorporar os jovens, os quais em alguns casos farão os desenvolvimentos e aplicarão as tecnologias. Para isso acontecer, temas pendentes como conectividade e alfabetização digital deverão ser encarados, porque existe uma grande fronteira do conhecimento e da revolução em germinação no setor agropecuário que o nosso continente não pode deixar passar”, indicou Otero.

O Diretor Geral do IICA acrescentou que, em matéria de alfabetização digital, “apenas 17% dos produtores em geral sabem tirar proveito dos smartphones”, havendo ainda uma tarefa de conscientização a ser feita para “entenderem o que querem e do que precisam para dar saltos de produtividade”.

“O agricultor de hoje e de amanhã necessita do pleno acesso às novas tecnologias e ao empoderamento; precisa ser protagonista do novo tempo em que a agricultura é chamada para ser, como vimos na recente Cúpula da ONU sobre a transformação dos sistemas alimentares, um eixo estratégico de qualquer estratégia de desenvolvimento sustentável”, complementou o titular do organismo especializado em setor agrícola e ruralidade.

A especialista sênior do BID Lab enfatizou que “80% dos produtores da ALC são pequenos e médios e que o grosso das soluções do AgriTech hoje é concebido sobretudo para as grandes empresas”. Sendo assim, parte dos desafios é a articulação dos esforços público-privados para “desenvolver e elaborar estratégias que facilitem soluções pertinentes inclusivas e adaptadas às necessidades reais dos agricultores”.

“A adoção de tecnologias no nível de pequeno produtor é possível. Temos que pensar que hoje é necessário ter um olhar mais inclusivo, incorporar a perspectiva de gênero e a diversidade. O tamanho da propriedade rural não deveria ser uma limitante para se poder utilizar tecnologias exequíveis, adequadas e pertinentes ao fim para o qual estão sendo desenvolvidas”, afirmou Castillo.

“Temos um papel a desempenhar na aceleração dessas coisas e na redução dessas desigualdades campo-cidade, porque não importa onde se viva, como cidadãos todos temos o direito de poder ter e receber a mesma qualidade de serviços. Isso traz um grande desafio para todos, que implica não só a tecnologia, mas também os temas das habilidades digitais, da revisão de processos, da geração de novas capacidades nos produtores que hoje talvez não as tenham – essa transformação vai muito além”, acrescentou.

O Diretor de Assuntos Corporativos, Externos e Jurídicos da Microsoft Colômbia enfatizou que, apesar das diversas limitações e restrições, deve-se ressaltar que a tecnologia “está chegando ao campo e fazendo entender a esse destinatário o uso mais efetivo, produtivo e sustentável da sua terra e do seu cultivo”.

Ele foi claro ao indicar a transcendência das sinergias entre os setores público e privado para se avançar na incorporação de mais e novas tecnologias com maior rapidez em todos os cantos da ruralidade, onde “os sistemas nacionais de ciência e tecnologia, como aglutinadores desses grandes esforços, podem ser uma via muito importante para se alcançar essa realização”.

“Nós, como sociedade, levamos muito tempo falando das parcerias público-privadas, conceito que está muito desenvolvido, mas que é preciso ser levado à prática. Os Estados têm que perder o medo de trabalhar com o setor privado, com o banco multilateral, com os organismos internacionais e com os think tanks. Hoje, nenhuma solução de problema é individual, mas precisa do concurso de muitos atores”, concluiu Rengifo.

No encontro, os peritos concordaram também em que a pandemia da Covid-19 potencializou e acelerou o uso e a oferta de novas tecnologias, propiciando uma transformação digital que está em andamento, mas que tem ainda muito caminho a percorrer.