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03-Mar-2020 09:22 - Atualizado em 03/03/2020 09:35
Relatório do Rabobank

Coronavírus traz incertezas, mas PSA continua determinando mercado

PSA continua impactando no rebanho de suínos chinês, de acordo com o banco. Mas isso deve ocorrer em um ritmo mais lento

Não bastasse o vírus da Peste Suína Africana (PSA) sacudir o mercado de proteína animal em todo o mundo, outra doença que acomete a China traz mais incertezas. É isso o que aponta o mais recente relatório do Rabobank, a respeito dos impactos do Coronavirus (Covid-19) no mercado de carnes. De acordo com o banco holandês, a doença está refletindo em problemas na produção, distribuição e consumo de todas as espécies nesse começo de 2020. No entanto, a avaliação é de que o Covid-19 esteja sob controle ainda no primeiro trimestre deste ano, o que deve resultar em impactos apenas de curto prazo.

A ocorrência dos dois vírus, por outro lado, não são os únicos elementos a complicar as projeções para as cadeias de proteína animal em 2020. O conflito comercial entre China e Estados Unidos permanece, o que deve influenciar nas importações do gigante mercado asiático nesse período. Uma coisa, entretanto, é certa para os analistas do Rabobank: a China manterá ou ampliará sua demanda por todas as proteínas.

A PSA continua impactando no rebanho de suínos chinês, de acordo com o banco. Mas isso deve ocorrer em um ritmo mais lento. Isso se deve ao aumento das medidas de biosseguridade, ao menor plantel e à experiência acumulada pelo setor no ano passado.

Apesar disso, aponta o relatório, pequenos e médios produtores estão cautelosos quanto à retomada ou expansão da produção. Apenas os grandes produtores estão retomando seus planteis. A expectativa do Rabobank é de que o suprimento interno de carne na China seja de 15% a 20% menor em 2020, em relação ao ano anterior.

 

OS REFLEXOS DO CORONAVÍRUS NA CHINA

Embora não deva se estender para além dos três primeiros meses de 2020, na avaliação dos analistas do Rabobank, o Coronavírus tem impactado a produção e o consumo na China. O cenário é de mercados fechados, estradas bloqueadas e empresas com o trabalho interrompido. Isso tem impedido o transporte de ração e suínos vivos pelo país.

A avicultura, contudo, é o setor mais afetado dentre as cadeias de proteína animal na China. Isso se deve também ao declínio do consumo fora do lar.

 

PREÇOS EM DISPARADA

Os preços dos suínos da China, conforme o Rabobank, continuaram subindo durante e após o Ano Novo Lunar, o que é incomum. Os analistas esperam, no entanto, que os preços aumentem ainda mais nos próximos meses, impactando ainda nos preços de outras proteínas. O desequilíbrio entre oferta e demanda, aponta o banco, deve manter os valores bastante voláteis no decorrer do ano.

A carne de frango é uma das que mais se beneficiam desse cenário, apesar dos impactos na produção e consumo já apontados acima, devido ao Coronavírus. Os preços da carne bovina e ovina permanecerão em níveis elevados. Embora a negociação possa limitar o crescimento do consumo de carne bovina e ovina, a escassez no mercado geral de proteínas animais apoiará seus altos preços.

 

Redação AI/SI
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