AveSui 2020
11-Out-2010 09:20 - Atualizado em 20/04/2016 14:40
Avestruz

Criador de avestruz leva prejuízo

O produtor João Nilceu Ribeiro de Mello, de Apucarana (PR), foi um dos pioneiros na criação de avestruz no Paraná e hoje é um dos poucos que ainda resistem na atividade. Chegou a ter 800 animais e mantém apenas 120, que são criados por terceiros. O objetivo atual do produtor é a utilização do couro para a produção de botas e acessórios.

"Alguma coisa de carne aindavendo para umas três ou quatro pessoas da região. Não passa de 25 a 30 quilos por mês. Mas já estou pensando em parar e trabalhar apenas com o couro", conta ele, que mantém produção e show-room de botas femininas naquele município. Uma bota de couro de avestruz custa entre R$ 350 e R$ 600, enquanto o quilo do filé é vendido por R$ 25.

Assim como muitos outros, Mello começou a criar avestruz em meados da década de 90, motivado pela divulgação de que era um bom negócio. "No final das contas, não cobre o custo", resume. "Teve época em que até ganhei dinheiro, mas depois perdi tudo. Teve mês em que cheguei a ter prejuízo de R$ 25 mil a R$ 30 mil", lembra.

Mello conta que se tivesse conseguido ter o seu próprio abatedouro, hoje poderia estar com uma boa fatia do mercado de carne de avestruz no Estado. "Tentei, mas não tive apoio do poder público, como haviam me prometido", lamenta. Segundo ele, um dos principais problemas é achar abatedouro que trabalhe com avestruz e arcar com o alto custo do abate: cerca de R$ 150 por animal. Hoje, ele é atendido por um abatedouro de Rolândia, mas não sabe até quando, já que a empresa quer aumentar a quantidade de suínos abatidos.

Segundo o engenheiro agrônomo Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização e Sindicato das Cooperativas do Paraná (Ocepar), nenhuma cooperativa de criadores de avestruz resistiu no Estado. "Foi vendida a ideia de que esse era um bom negócio. Houve um movimento grande de vendas de aves para o início do processo produtivo. Mas quando essas aves foram para o varejo foi identificado que o mercado não absorvia o produto", contextualiza. "Com o mercado pequeno e a oferta grande, os preços caíram (para os criadores). A atividade tornou-se inviável".

Folha de Londrina
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