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Sanidade

Custo de prevenção de pandemias é cem vezes menor do que os impactos econômicos

A maioria das doenças (70%) e quase todas as epidemias conhecidas são zoonoses – causadas por vírus transportados por animais selvagens

Agência Fapesp
30-Out-2020 10:56

Os custos de prevenção de pandemias como a de Covid-19 podem ser cem vezes menores do que os impactos econômicos causados por problemas de saúde pública mundial dessa magnitude. A estimativa foi feita pelos autores de um relatório sobre biodiversidade e pandemias publicado nesta quinta-feira pela Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês).

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Os especialistas apontam que responder aos impactos de pandemias, com a implementação de medidas de saúde pública e o desenvolvimento de soluções tecnológicas, como vacinas e tratamentos, é um "caminho lento e incerto".

Até julho, os impactos econômicos globais da Covid-19 foram estimados entre US$ 8 trilhões e US$ 16 trilhões. O real impacto econômico da pandemia, contudo, só poderá ser avaliado com precisão quando as vacinas em desenvolvimento estiverem totalmente disponíveis para a população mundial e a transmissão do novo coronavírus for contida, ressalvam os autores do relatório.

“Temos capacidade cada vez maior de prevenir pandemias, mas a maneira como as estamos enfrentando agora ignora amplamente essa possibilidade", disse Peter Daszak, presidente da EcoHealth Alliance e coordenador do relatório, em comunicado à imprensa.

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Sem uma abordagem global para lidar com doenças infecciosas e implementar estratégias preventivas, as pandemias se tornarão mais frequentes, se espalharão mais rapidamente, causarão mais danos à economia mundial e matarão mais pessoas do que a COVID-19, alertam os pesquisadores.

O relatório aponta que o risco de pandemias está aumentando rapidamente, com mais de cinco novas doenças surgindo a cada ano – como ebola, zika e encefalite Nipah –, com potencial para se espalhar por todo o planeta. A Covid-19, por exemplo, é a sexta pandemia desde a Gripe espanhola, em 1918.

A maioria dessas doenças (70%) e quase todas as epidemias conhecidas são zoonoses – causadas por vírus transportados por animais selvagens e que transbordam para os humanos devido ao contato com animais domésticos, gado e pessoas.

Estima-se que em mamíferos e pássaros existam 1,7 milhão de vírus não descobertos, dos quais entre 540 mil e 850 mil poderiam ter capacidade de infectar humanos, estimam os pesquisadores.

A perturbação ecológica causada por atividades humanas, como o desmatamento e o comércio e consumo de animais selvagens, tem colocado a vida selvagem, gado e pessoas em contato mais próximo, permitindo que vírus existentes em animais silvestres infectem pessoas e tenham potencial de causar surtos e, mais raramente, pandemias, que se espalham por redes rodoviárias, marítimas e aéreas, centros urbanos e rotas comerciais, afirmam os autores.

"Não há grande mistério sobre a causa da pandemia Covid-19 ou de qualquer pandemia moderna", disse Daszak.

"As mesmas atividades humanas que impulsionam as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade também geram risco de pandemia por meio de seus impactos em nosso meio ambiente. Mudanças na forma como usamos a terra; a expansão e intensificação da agricultura; e o comércio, produção e consumo insustentáveis interrompem a natureza e aumentam o contato entre animais selvagens, gado, patógenos e pessoas. Este é o caminho para as pandemias", ressaltou.

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O risco de pandemia pode ser reduzido significativamente por meio da diminuição das atividades humanas que impulsionam a perda de biodiversidade, da maior conservação de áreas protegidas e de medidas que reduzam a exploração não sustentável de regiões de alta biodiversidade. Dessa forma, será possível reduzir o contato entre animais selvagens, animais domésticos e humanos e ajudar a prevenir a propagação de novas doenças, diz o relatório.

Opções políticas

O relatório também indica opções de políticas que contribuam para reduzir e abordar o risco. Entre eles estão a criação de um conselho intergovernamental de alto nível sobre prevenção de pandemias para fornecer aos tomadores de decisão a melhor ciência e evidências sobre doenças emergentes; prever áreas de alto risco; avaliar o impacto econômico de pandemias em potencial e destacar lacunas na pesquisa. Esse conselho também poderia coordenar o desenho de uma estrutura de monitoramento global.

Outras medidas indicadas pelo relatório são garantir que o custo econômico das pandemias seja considerado no consumo, na produção e nas políticas e orçamentos governamentais e possibilitar mudanças para reduzir a expansão agrícola globalizada e o comércio que ofereçam risco de disseminação de vírus.

“Podemos escapar da era das pandemias, mas isso requer um foco muito maior na prevenção", afirmou Daszak.
 

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