Guia Gessulli
20-Mai-2020 08:26
Comentário Avícola

Diferentes versões da vacina contra NewCastle

A Doença de Newcastle (DNC) pode significar perdas econômicas importantes, visto que, para o comercio internacional de carnes e produtos avícolas, a condição de livre de cepas patogênicas é essencial.

O vírus da doença de Newcastle pode acometer aves de todas as espécies, causando sintomas clínicos ou mesmo na sua forma assintomática. A Doença de Newcastle (DNC) pode significar perdas econômicas importantes, visto que, para o comercio internacional de carnes e produtos avícolas, a condição de livre de cepas patogênicas é essencial. Por isso ela integra a lista de doenças infecciosas de notificação obrigatória da Organização Mundial da Saúde.

Mesmo com esta diversidade de reservatórios, a vacinação contra DNC não é uma unanimidade entre os produtores de carne de frango, visto é considerada exótica no Brasil, e, de acordo com o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), não é de vacinação compulsória e eventuais focos devem ser erradicados, para que o país esteja em conformidade para exportação (OIE).

Medidas de biosseguridade são, sem dúvida, fundamentais para o controle da DNC, mas um programa de vacinação eficiente é sempre uma alternativa de baixo custo, segura e com resultados bem consistentes.

As vacinas presentes no mercado, são bastante eficientes na proteção das aves, e possuem características diferentes, que precisam ser analisadas no momento da escolha do programa. Atualmente temos as vacinas com cepas de tropismo respiratório (HB1, La Sota, C2 e V.H.), as cepas enterotrópicas (VG/GA e Ulster) e, mais recentemente, as vacinas vetorizadas. As vacinas vivas convencionais promovem a imunidade local (IgA) e por isso têm um papel importante, principalmente em regiões de alto risco. Todas são de cepa lentogênica mas podem ser mais ou menos agressivas, principalmente quando nos referimos ao trato respiratório.

A prática da revacinação em aves de ciclo longo durante a produção, por meio de aerossóis (spray), é usual e tem como um dos objetivos colonizar e epitélio respiratório e ativar a imunidade local (IgA). Nesses casos, é comum o relato de reações pós vacinais severas em lotes positivos para Mycoplasma, além de complicações por E. coli. Isto se dá pelo estresse causado pelas cepas vacinais e, na maioria dos casos, está diretamente relacionado com a imunogenicidade da vacina. Via de regra, uma vacina mais agressiva, também é mais imunogênica. Por isso que não recomendamos a cepa La Sota em aves jovens. Por outro lado, a cepa HB1, acaba não sendo tão eficiente em aves mais velhas onde os desafios tendem a ser maiores e a necessidade de estimular a imunidade local é fundamental.

Mas nós sempre podemos optar por cepas intermediárias, compostas por vírus mais imunogênicos e menos prejudiciais ao trato respiratório. Nestes casos, a cepa V.H. é uma opção. A V.H. tem reações pós vacinais comparáveis à cepa HB1, porém com resultados sorológicos comparados à La Sota, e pode ser utilizada a partir do 1º dia de vida até em aves no período de produção.

As reações não dependem exclusivamente da cepa vacinal, o modo de aplicação (spray ou água de bebida), doenças intercorrentes (Mycoplasmose, Bronquite Infeciosa, Gumboro, etc) ou mesmo outros fatores imunossupressores, podem exacerbar estas reações, que, em alguns casos, necessitam de tratamento sintomático ou mesmo antibioticoterapia.

Mesmo com tantas versões, a vacinação é apenas uma parte do controle e a biosseguridade é soberana quando se trata de uma doença de epidemiologia tão complexa quando a Doença de New Castle.

Redação AI

Eva Hunka

Eva Hunka é Medica Veterinária e Mestre em Medicina Veterinária Preventiva.

 

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