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22-Mar-2019 09:06
Pesquisa

Estudo propõe protocolo para definição de padrão da água para pecuária

Disponibilizar água em quantidade suficiente e com qualidade garante que o animal mantenha as condições ideais de sanidade e bem-estar

A propriedade pecuária deve oferecer água de qualidade aos animais. Disponibilizar água em quantidade suficiente e com qualidade garante que o animal mantenha as condições ideais de sanidade e bem-estar e produza alimentos seguros.

Qualquer situação incomum relacionada à água como, por exemplo, alterações no odor, na cor e impactos negativos no desempenho e na condição de saúde dos animais, deve ser motivo para se realizar a análise da água .

A presença de substâncias em concentrações acima do permitido na água consumida pelos animais de produção representa um risco à saúde animal e à segurança dos alimentos.

No entanto, poucos países têm critérios de qualidade da água específicos para os animais de produção. O  Brasil tem duas resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que determinam os padrões da água para consumo animal.

Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP) e da Unicamp (Limeira-SP) analisaram legislações de países que têm padrões definidos para o consumo de água de animais e a partir disso propuseram um protocolo para definição de padrões de qualidade da água para a pecuária brasileira.  

O estudo foi publicado nesta semana na revista internacional Regulatory Toxicology and Pharmacology.

Pesquisas e informações sobre os critérios de qualidade da água para a pecuária são limitados em todo o mundo. Atualmente, o Canadá é referência nessa área.

Alguns países estabelecem valores máximos com base na ocorrência de compostos químicos em águas superficiais e subterrâneas, toxicidade para as espécies ou, ainda, aplicam os mesmos critérios de qualidade para consumo humano. O Brasil utiliza valores de outros países, que possuem realidades diferentes.

Pela importância social e econômica da atividade pecuária no Brasil e pelas constantes ameaças que as fontes de água estão expostas, é essencial estabelecer métodos para determinar padrões de qualidade que considerem as realidades produtivas e ambientais do país. O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina e de aves e o quarto maior produtor de carne do mundo.

De acordo com o pesquisador Julio Palhares, da Embrapa, o padrão de qualidade da água para consumo de animais é resultado da interação de vários fatores produtivos, ambientais e da química do elemento que está sendo considerado. Por exemplo, o nitrato está presente nas águas e na dieta dos animais. Dessa forma, para estabelecer um padrão para esse elemento, deve-se considerar a fisiologia animal, o tipo de dieta, o tempo de exposição e a dinâmica química do nitrato.

A aplicação direta dos padrões de qualidade da água para consumo humano em animais não é considerada apropriada pelos pesquisadores. Eles sugerem que os estudos toxicológicos para o estabelecimento dos padrões de qualidade da água para as espécies animais deveriam considerar as realidades da pecuária, ou seja, levar em conta o tempo de vida dos animais de produção. “Ao invés de usar padrões de qualidade da água para humanos na ausência de dados toxicológicos suficientes, os padrões poderiam ser baseados em dados toxicológicos de animais experimentais de duração menor usando a proporção de peso corporal/ingestão diária de água”, explica Simone Valente-Campos, da Unicamp.

Padrão brasileiro
O estabelecimento de padrões próprios, com base científica e transparente, seria benéfico para a saúde única do sistema, que inclui a saúde humana, animal e ambiental.

Há vários estudos brasileiros que mostram a contaminação da água por substâncias, incluindo pesticidas, hormônios, fármacos, antibióticos e fertilizantes. “A determinação de padrões de qualidade da água para os animais não é uma tarefa fácil, mas o protocolo proposto pelo grupo de pesquisa fornece a base para que estudos nacionais sejam desenvolvidos, tendo como resultados padrões específicos para o consumo de água pelos animais”, ressalta Julio Palhares.

Embrapa
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