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Comentário

Frango: campeão nacional da proteína animal

Saltos espetaculares foram obtidos, que demonstram ser o sucesso de um processo que, obrigatoriamente, envolve a cadeia produtiva inteira

José Luiz Tejon Megido
29-Ago-2017 13:32 - Atualizado em 30/08/2017 09:07

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divulgação
Cada proteína tem sua história, seus desafios e sucessos. A carne suína, um belíssimo trabalho da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), promoveu o consumo com ênfase na saúde humana, para o aumento do consumo per capita. A carne bovina, com programas de qualidade, rastreabilidade e iniciativas inovadoras como o Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC), reúne governo, criadores (Acrimat) e frigoríficos, e tudo com tecnologias e sensores conferindo segurança e confiança. Da mesma forma o ovo, numa recuperação extraordinária de imagem; o leite com cooperativas engajadas em elevação da qualidade e da produtividade, como a Copacol e a Copérdia. Agora está crescendo a proteína do pescado.

Em todas as proteínas já nos configuramos em líderes mundiais e ainda cresceremos para acompanhar tanto as demandas por quantidade, como por qualidade assegurada e sustentável. Mas, o momento agora é o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS) e o foco é o frango. Saltos espetaculares foram obtidos, que demonstram ser o sucesso de um processo que, obrigatoriamente, envolve a cadeia produtiva inteira.

No caso do frango, que participei desde o início dos anos 80, tínhamos a distribuição no Brasil da genética Arbor Acres, que liderava no mundo, mas não, o consumo, que não passava de 10 kg/per capita. O modelo do negócio era, na sua maioria, a venda do frango inteiro. Depois disso, lançamos, a Agroceres Ross. Genética escocesa, com a missão do desenvolvimento do núcleo dentro das condições tropicais. E, de 1987 para 2017, essa cadeia produtiva se tornou a campeã nacional, superando o que à época era impensável – a própria carne vermelha, em consumo – hoje ultrapassando 40 kg.

Lições importantes podemos tomar do “chickenbusiness” para as demais cadeias produtivas: 1) Vínculo da genética com o modelo de agregação de valor na atividade; 2) Manejo agroindustrial integrado, onde os índices da performance envolviam o dentro e pós-porteira das granjas; 3) Comunicação e propaganda permanente, consistente, disputando a percepção do consumidor final realizado pelas marcas com acesso aos mercados; 4) Se hoje o “agro é pop”, o frango foi posicionado inteligentemente como a proteína pop. Bom, gostoso, e barato. Produto para todos, e nisso a capilaridade da distribuição teve um papel gigantesco, e inclua-se nisso as “assadeiras” de porta de bares, padarias, supermercados, famosas “televisões de cachorro”, que ofereciam o produto; 5) Sem dúvida, dentre todas as cadeias produtivas proteicas, é a que melhor conseguiu orquestrar os vínculos de todos os elos, desde genética, passando pelos criadores, matrizeiros, agroindústria, indústria veterinária, ração, marketing, distribuição, varejo. O setor se estabelecia em arranjos velozes, e se readequando nas altas e baixas ao longo de todos os seus elos. Incluindo-se nisso as integrações e o cooperativismo.

Lógico, dentro das granjas, evolução na conversão, no timing, num crescimento enorme da produtividade. Mas, produtividade sem giro da mercadoria em elevada velocidade não existe.

Portanto, tudo o que o ocorreu na tecnologia do frango do lado de dentro da agroindústria, foi acompanhado por marketing, distribuição e vendas, tanto em nível do mercado interno como nas exportações. E, pude assistir uma mudança de conceito, quando já ao final dos anos 80 saíamos de uma visão de produção de “frango inteiro”, para partes, processados, e o crescimento da genética que privilegiava as partes nobres, o rendimento na indústria.

E com isso veio a segurança sanitária, qualidade acima de um elo da corrente da cadeia produtiva. Responsabilidade de uma orquestra. A cadeia produtiva inteira.

“O todo é maior do que a soma das partes”. Isso nos remete à John Davis e Ray Goldberg, pais do agribusiness em Harvard, ao evidenciar que a gestão do agronegócio será sempre a gestão do conjunto. Isso também explica a razão pela qual, em meio às crises, temos suportado, e continuamos vendendo e crescemos nos mercados.

Porque “tudo do Brasil é maior do que a soma das partes”. Pontos a melhorar? A base da nutrição da avicultura: soja e milho. Acordos e contratos precisam ser feitos para diminuir os riscos e a inexorável incerteza, que faz parte e estará sempre presente nas atividades do agro. Não podemos ter uma avicultura no futuro, sem assegurar o suprimento dos grãos.

Doravante, nichos, segmentos, bem-estar animal, sucessão de avicultores, expansão geográfica que não parem nunca de comunicar. Ao final, tudo isso virará sinônimo de saúde humana, além e acima da saúde vegetal e animal, em paralelo à saúde ambiental.

Capitalismo consciente. Que o estudo de caso do sistema produtivo do frango inspire a todas as demais cadeias da proteína animal.

Por José Luiz Tejon Megido, Conselheiro Fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM.

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