08-Mai-2017 16:50
Comentário

Inteligência emocional - por Valter Bampi

O Quociente Emocional (QE) pode ser mais importante para seu sucesso do que celebrado  Quociente de Inteligência (QI). Segundo estudos, cerca de 90% dos funcionários mais bem avaliados têm boa gestão de emoções. Apenas 20% dos insatisfatórios são dotados dessa característica. Mas, como saber se você tem nível satisfatório de inteligência emocional ou se ainda precisa investir mais no desenvolvimento dessa competência? 

Para Harvey Deutschendorf, especialista em inteligência emocional, o desafio de medir essa competência é considerável. Não à toa, diz ele, que muitos recrutadores fracassam ao avaliar qualidades como autoconsciência, autocontrole, empatia em candidatos a vagas de emprego. “Muitos [headhunters] recorrem a instintos, impressões subjetivas”, escreve Deutschendorf. “Qualquer pessoa esperta já aprendeu a parecer inteligente do ponto de vista emocional em  entrevista, mesmo que não o seja”. Para ajudar os profissionais de RH e candidatos, o especialista propõe perguntas para medir competência em seleção, o questionário não esgota as possibilidades de avaliação e pode ser adaptado. Confira:

O que mais incomoda nas outras pessoas? Sugere que a pergunta seja direcionada ao ambiente profissional, isto é, que o candidato fale sobre chefes, subordinados, colegas que o irritavam em seu emprego anterior. A resposta contará muito sobre como percebe e julga comportamento de outros. Ao descrever como tentou conviver de forma pacífica com quem o incomoda, dará pistas como entende o efeito do seu próprio comportamento sobre os demais.

Como foi um dia na sua vida em que tudo deu errado? Não basta responder com longo relato de jornada difícil, precisa falar sobre o impacto dos acontecimentos sobre emoções e, sobretudo, como lidou com caos e frustração, se martirizou por causa de problemas e culpou outros? Se concentrou em procurar soluções? O objetivo da pergunta é avaliar mecanismos de resiliência do candidato, seu jogo de cintura diante de situações incertas, imprevisíveis.

Pense num colega de trabalho que virou seu amigo. Por que se dão tão bem? “Diz-me com quem andas, te direi quem és”? Os relacionamentos interpessoais que construímos dizem muito sobre a forma de ser, também há muita informação por trás da nossa própria percepção dessas relações. Ao fazer essa pergunta, o recrutador pode identificar como candidato se enxerga e o que valoriza nos outros. Quem descreve relacionamentos baseado no bom humor, a não ser que ele seja sarcástico ou agressivo, ganha pontos na visão de Deutschendorf.

O que poderia ensinar às outras pessoas? A pergunta é vaga, aberta, por isso ela pode suscitar reações reveladoras. O headhunter deve prestar atenção aos detalhes: como usa expressões faciais, tom de voz, linguagem corporal para transmitir ideia ou conceito. "Um candidato inteligente emocional assumirá a responsabilidade de se fazer compreender”, diz especialista, “A oportunidade de compartilhar conhecimento é empolgante a ele, não o induz ao estresse, exige habilidades de comunicação que adora exercitar”.

Pense numa pessoa que admira. Por que ela é digna do seu respeito? A ideia é identificar modelos de comportamento, objeto do seu fascínio é uma pessoa extrovertida ou reservada? Trata-se de alguém com pensamento estratégico, movido por suas intuições? Não há resposta certa ou errada. Em alguns casos, o candidato falará sobre alguém com quem ele se identifica pessoalmente; em outros, mencionará a pessoa que possui exatamente características que lhe faltam, a resposta será ainda mais rica se incluir o que entrevistado acha que tem em comum com a pessoa de que gosta, também quais defeitos enxerga nela, apesar da admiração.

Do que sente mais orgulho em sua vida? Por quê? A questão permite avaliar a imagem que faz de si, também a importância que atribui ao julgamento alheio ao seu bem-estar, chama atenção para um detalhe especialmente sintomático: o candidato dá crédito a outros pelas suas realizações, descreve a si mesmo como um “herói” autossuficiente? Às vezes conquistas são realmente individuais, afirma ele, mas pessoas com inteligência emocional não ignoram importância do apoio de familiares, amigos e colegas para seu sucesso.

Se tivesse a própria empresa, que tipo de pessoa contrataria, por quê? A pergunta permite avaliar qualidades que valoriza em outros, bem como sua forma de se relacionar em equipe. Variáveis ligadas à inteligência emocional poderão ser medidas em como profissional descreve seus métodos favoritos de trabalho em grupo, tipos de personalidade que mais o atraem, seu estilo de liderança, diz Deutschendorf. 

Avicultura Industrial

Valter Bampi

Médico veterinário, professor universitário, especialista avícola e diretor da Bampi Consultoria.

Deixe seu Recado
;