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Sanidade

Novas cepas de PSA na China podem ter surgido com uso de vacinas irregulares

Autoridades detectaram mais de mil suínos infectados no sul do país

O novo surto de peste suína africana detectado na China pode ter sido desencadeado pelo uso de vacinas irregulares, fontes da indústria disseram à agência Reuters. Os casos de infecção, revelados pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais chinês na quinta-feira (21), foram os primeiros encontrados no país desde outubro.

As autoridades detectaram mais de mil suínos infectados com duas novas cepas em diversas criações da New Hope Liuhe, quarta maior produtora da China. Essas variações — nas quais faltam um ou dois genes-chave que compõem o vírus original da peste — não matam os animais como a doença que devastou as criações chinesas em 2018 e 2019, mas causam uma doença crônica que reduz o número de leitões recém-nascidos saudáveis.

Na New Hope, assim como em muitos grandes produtores, os porcos infectados são sacrificados para evitar a propagação da doença. Assim, na prática, a doença acaba sendo fatal.

No momento, o número de infecções é baixo. No entanto, se as cepas se espalharem, elas poderão reduzir a produção de carne suína no país, o maior consumidor e produtor mundial da proteína.

Há dois anos, a peste suína dizimou metade do rebanho de porcos chinês, que tinha então 400 milhões de cabeças. Os preços da carne suína ainda estão em níveis recorde, e a China está sob pressão para fortalecer a segurança alimentar em meio à pandemia da covid-19.

Wayne Johnson, um veterinário de Pequim, disse ter diagnosticado no ano passado uma forma crônica – ou menos letal – da doença em porcos. O vírus não tinha certos componentes genéticos, conhecidos como genes MGF360. A New Hope encontrou cepas do vírus sem os genes MGF360 e CD2v.

Pesquisas mostraram que a exclusão de alguns genes MGF360 da peste suína africana gera imunidade. No entanto, o vírus modificado não foi transformado em uma vacina porque tendia a sofrer mutações e voltar a um estado prejudicial.

“Você pode sequenciar essas coisas, essas exclusões duplas, e se forem exatamente iguais ao que foi descrito no laboratório, seria coincidência demais, porque você nunca obteria essa exclusão exata (de forma natural)”, disse Lucilla Steinaa, cientista-chefe do Instituo Internacional de Estudos Pecuários (ILRI, na sigla em inglês), em Nairóbi.

Não existe uma vacina aprovada contra a peste suína africana, doença que não afeta seres humanos. Ainda assim, muitos produtores chineses, lutando para proteger seus porcos, recorreram a produtos não-autorizados, segundo especialistas do setor. Eles temem que as vacinas ilícitas tenham criado infecções acidentais, que agora estão se espalhando.

As novas cepas podem se proliferar globalmente por meio de carnes contaminadas, infectando porcos que são alimentados com restos de comida. O vírus é conhecido por sobreviver por meses em alguns produtos suínos.