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O que o Governo Federal vem fazendo para alavancar o Brasil e incentivar a inovação: o apoio às empresas de pequeno e médio porte

Governo investe na infraestrutura necessária para a rotina do país e do cidadão, empresta recursos a juros subsidiados às empresas ou investe a fundo perdido para o desenvolvimento da P,D&I e da C & T

André Cabral de Souza

Economista, Especialista em Engenharia Econômica e MSc em Desenvolvimento Agrícola pelo CPDA/UFRRJ

14-Jul-2021 11:54 - Atualizado em 21/07/2021 08:06

Este artigo é complementar ao: As necessidades de recuperação e crescimento da economia mundial

Os investimentos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)/MCTI vem financiando, através de todas as formas existentes (reembolsáveis, subvenção e participação), projetos de P,D&I das empresas, promovendo a inovação, o desenvolvimento ou o aprimoramento de novos produtos, processos ou serviços. Além de operações com ICt’s (não reembolsáveis) e Startups.

Diante dos pontos citados, criei no passado e apresentei em uma palestra a imagem da estrela de 6 pontas, onde: empresas geram recursos, produtos e serviços (riquezas), consumidores entram com recursos, também, através do pagamento de seus impostos ao governo e, com isso, disponibilizam meios para a realização de despesas correntes e investimentos. Assim, se promove a recuperação, a manutenção e o crescimento da economia. Por sua vez, o Governo investe na infraestrutura necessária para a rotina do país e do cidadão, empresta recursos a juros subsidiados às empresas ou investe a fundo perdido (subvenção e operações não reembolsáveis) para o desenvolvimento da P,D&I e da C & T e ,assim, impulsiona o desenvolvimento do país até a próxima onda da inovação.

Imagem 1 - A Estrela de 6 pontas

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Imagem 1 - estrela autor

Fonte: criação do autor

A imagem 1 objetiva mostrar que governo, ICT’s, consumidor e empresas exercem importantes papéis de forma complementar para mover a economia pelo lado das responsabilidades. Faltam somente minimizar o vácuo existente dos direitos.

Acredito que as amargas experiências vividas ultimamente serviram como um alerta para todos. Devendo empresas e governo buscarem a parceria de modo a reverter a situação atual.

No meu ponto de vista, focando no “Índice de Confiança do Empresário Industrial” (ICEI) da CNI, este serve como uma luz de que o empresariado de pequeno, médio e grande porte já se conscientizou dessa necessidade e visualizou boas expectativas com relação ao país, quanto a nossa economia e com relação as suas empresas. Claro que acredito que a inovação faz parte da fórmula que antecede.

Pelos gráficos IV, V, VI e VII, percebe-se a pequena retração em 2020 mas uma ligeira recuperação em 2021, o que entendo como uma minimização dos problemas que vêm assolando o país há um bom tempo.

Gráfico IV

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Gráfico condições

Fonte: CNI/FIRJAN/ICEI – Elaborado pelo autor

Gráfico V

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Gráfico Expectativas

Fonte: CNI/FIRJAN/ICEI  – Elaborado pelo autor

Gráfico VI

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Gráfico Expectativas

Fonte: : CNI/FIRJAN/ICEI – Elaborado pelo autor

Gráfico VII

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Gráfico Expectativas

Fonte: CNI/FIRJAN/ICEI – Elaborado pelo autor

Pelos pontos levantados até aqui, onde explano o papel da Finep e a visão otimista e de confiabilidade das empresas frente a uma ligeira perspectiva de recuperação (segundo o ICEI-FIRJAN), acredito que o desenvolvimento de projetos de inovação, seja através de empréstimos, subvenção ou investimento com recursos próprios, será um instrumento de recuperação, de crescimento e de total necessidade para o segmento privado.  

Posso dizer que empresas nacionais têm buscado a inovação como ferramenta de competição, bem como possuem o potencial necessário para desenvolver o projeto e contribuir com o País. Faltando, no entanto, maior demanda por recursos para desenvolvimento de projetos inovativos ou de aperfeiçoamento.

Exemplos de Casos de Sucesso

Conforme mencionei anteriormente, cito (com a permissão das empresas) alguns bons exemplos de apoios concedidos pela Finep ao capital privado, na forma de subvenção econômica, que concorreram em Chamadas Públicas Finep/MCTI, executadas na Diretoria de Inovação desta Financiadora.

Abro um parêntese e destaco que estes projetos, para chegarem à aprovação, foram avaliados e discutidos por Comitês Gestores, compostos por especialistas, representantes ministeriais e analistas desta Finep. Com isso, fica comprovada a transparência e a responsabilidade no uso do dinheiro público.

Estes exemplos, a meu ver, podem ser entendidos como uma materialização de mudança de comportamento e visão de parte do segmento privado. O que é um muito importante para o País.

SulGesso e o encapsulamento de fertilizantes

O Brasil experimenta uma situação ímpar na economia mundial. Todos, com certeza, já ouviram ou leram notícias de que temos a missão de alimentar o mundo. Além, é claro, de saberem que dependemos fortemente dos resultados do agronegócio para crescermos e nos desenvolvermos.

Entretanto, muitos não conhecem a nossa forte dependência de fertilizantes para produzirmos esses alimentos e não possuirmos reservas suficientes de minerais para fertilizar a terra e ofertar o alimento (que esperam de nós).

Deve-se pensar, ainda, num outro ponto muito em evidência que seria a produção de alimentos de forma sustentável, onde precisa-se promover a fertilização de lavouras, usando adequadamente nutrientes (quantidade e tipo), levando-se em conta solo e cultura. Para os exportadores de fertilizantes, a oferta de minerais é o que conta.

O agravante da dependência na importação de fertilizantes, chega ao ponto de apenas 20 % dos fertilizantes consumidos serem produzidos internamente e o país importar praticamente a totalidade de Fósforo (P) e Potássio (K).

Gráfico VIII

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Gráfico importação

Estas questões com certeza levaram o governo a uma iniciativa, através do Ministério da Agricultura (2021), de iniciar debates com outros ministérios e instituições, com o objetivo da busca de soluções tecnológicas que contribuam para que o país diminua o elevado volume importado de nutrientes. Sem comprometer a produção nacional agrícola.

Em consonância com as necessidades do país e do setor, destaco o primeiro caso de sucesso de apoio da Finep, ao qual me referi no título deste artigo.

Em 2019 a Finep contratou um projeto da empresa SulGesso Indústria e Comércio S/A, que objetiva pesquisar e desenvolver um fertilizante com tecnologia de encapsulamento. Esta tecnologia liberará de forma gradativa o nutriente para a planta, atendendo a sua exigência em todo o ciclo produtivo. Estou falando do fertilizante inteligente.

Esta tecnologia, que já vem sendo utilizada há bastante tempo pelas indústrias farmacêutica e alimentar, através do uso de diversos encapsuladores [19 encapsuladores (termoplástico,resina, macromoléculas, entre outros) representam -10 a 30 vezes o custo do fertilizante)], desponta como um grande feito para a agricultura.

Apesar dos custos elevados (devido, basicamente, aos materiais utilizados na tecnologia) nada impediu o seu uso nos dois segmentos que iniciaram o seu uso e vem motivando para o seu emprego no agronegócio.

Imagem 2

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Imagem Grânulo

Em termos de agricultura, em 1999 o Ministério da Agricultura do Japão já havia recomendada a substituição dos fertilizantes convencionais (aplicados em grandes volumes) pelos de liberação controlada, que exigiriam quantidades menores. Tal era o problema já visualizado.

Esta tecnologia, no entanto, esbarrava num sério problema, que estava associado ao custo dos materiais utilizados para o encapsulamento. Com isso, preço sempre foi um inibidor ou dificultador para o mercado produtor consumi-lo na totalidade das culturas, limitando-se as de caráter extensivo (milho, arroz, trigo, batata, fruticultura e forrageiras). Mesmo assim, o Japão a utilizou.

Um outro ponto que, a meu ver, justifica investimentos nesta tecnologia, seria a necessidade da busca de uma produção responsável, que minimize os impactos que afetem de forma negativa as mudanças climáticas. Esta discussão ganha magnitude quando deparamos com uma realidade complexa de se produzir mais alimentos a custos menores, com menos utilização de água e que não exijam novas áreas e comprometa a biodiversidade.

Assim, quando se vê que uma empresa nacional como a SulGesso, que se situa neste mercado complexo, dominado por gigantes, tem procurado utilizar a inovação como uma ferramenta de desenvolvimento de um novo produto, tenho certeza que foi e está sendo um acerto, por parte da Finep, apoiar o projeto e a empresa.

Neste projeto, a SulGesso vem desenvolvendo um fertilizante encapsulado, cujo o núcleo (onde se situa o nutriente) é envolvido pelo Fosfogesso (originário da Indústria Carboquímica Catarinense, que produzia os ácidos Fosfórico e Sulfúrico e considerado um passivo ambiental). Este núcleo e o fosfogesso serão envoltos (encapsulados) por uma membrana - que ainda está sendo pesquisada pela empresa, de modo a se identificar a mais eficiente e de menor custo.

Imagem 3

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Imagem locais de teste

Mas o projeto não para por aí. Em paralelo, a empresa vem desenvolvendo um software, denominado “calibra”, o qual fornecerá informações orientativas com relação à necessidade da cultura (trigo, algumas gramíneas, leguminosas e oleaginosas), no que se refere à fertilização (ver imagem 3 com relação a experimentos de campo).

Com certeza, o desenvolvimento deste projeto representará uma grande contribuição para o agronegócio e para a economia nacional, pois vai ao encontro das necessidades que já são conhecidas e tem, ainda, uma tomada ambiental (uso de um resíduo como matéria prima).

INSTOR e a robótica

Hoje vivemos uma revolução das mais complexas, na qual as máquinas se comunicam entre si e tomam decisões sem a participação do homem ou trabalham em parceria robô com o humano. Isto não é mais ficção científica é uma perna da indústria 4.0.

Por falar em robô, a história mostra que o primeiro surgiu nos anos 50, como um braço robótico inserido nas atividades da fábrica da General Motors. O que mostra que a indústria automobilística saiu à frente e, pelo jeito, se manteve no caminho da robotização - cujo mercado encontra-se hoje avaliado em 37,9 bilhões de dólares.

Informações do uso massivo dos mesmos em duas das principais indústrias (eletrônica - 25% do total instalado - e automotiva – 30 %), tem sido um dos grandes motivadores para que os mesmos venham a ser os componentes centrais da produção digital e em rede na indústria 4.0.

Em termos de números e perspectivas, o relatório da International Federation of Robotics (IFR) de 2019 mostra que a densidade média [A densidade do robô é o número de robôs industriais operacionais em relação ao número de trabalhadores”, diz Milton Guerry , presidente da Federação Internacional de Robótica] mundial de robôs nas indústrias de manufatura estava em 113 unidades por 10.000 funcionários.

Deste mesmo relatório, extrai-se que Singapura aparece na liderança com uma quantidade de 918 unidades, cabendo à indústria eletrônica, especialmente semicondutores e periféricos de computador, o lugar de principal cliente de robôs industriais no país (ver gráfico IX).

No que se refere ao Brasil, apesar de ocuparmos o primeiro lugar na América do Sul, com um estoque operacional de 15,3 mil unidades instaladas, o país necessitará de 100 anos para se aproximar da densidade robótica da Alemanha de 2019, haja vista o ritmo de 1,5 mil robôs instalados/ano. É o que afirma o presidente da ABII.

Gráfico IX

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Gráfico Robot

Robôs Desenvolvido pela Instor com apoio da Finep/MCTI

Imagem 4

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Robô Instor

O projeto da Instor, tem como objetivo o desenvolvimento de um robô móvel autônomo multifuncional tipo AMR, que carregue cargas até 1000kg em ambiente industrial e que identifique ausência de EPIs e distanciamento social.

Este robô (100% nacional), que vem sendo apoiado pela Finep, exercerá um importante papel na logística interna das indústrias, e otimizará o desempenho de centros de distribuição, graças a inúmeras tecnologias as quais serão embarcadas no mesmo. Destaco que a plataforma será flexível e amigável, permitindo sua integração com os mais diversos softwares de logística e ERP.

Estas tecnologias vão desde navegação inteligente nas tarefas de logística e transporte industrial [o papel da logística na indústria é muito amplo e está relacionado à gestão de aquisição, armazenagem, movimentação e distribuição e aos fluxos de atividades e informações] e passam por técnicas de Inteligência Artificial em Robótica Móvel.

Associado a estas questões, vale citar que toda a tecnologia inserida permitirá o mapeamento contínuo dos ambientes industriais e a identificação da ausência do uso de EPIs e do não distanciamento social exigido para que haja a segurança dos trabalhadores.

Segundo a empresa, estas características posicionam o robô na categoria de robótica avançada e será uma plataforma robótica autônoma resultante de diversos projetos já desenvolvidos pela Instor.

A empresa destaca que “o diferencial deste projeto comparado com o que existe no mercado internacional é a sua capacidade de colaborar com a segurança dos trabalhadores, enquanto ajuda na logística interna, além de não necessitar de obra civil ou alterações na infraestrutura das indústrias”.

Vale citar, ainda, um outro exemplo disponibilizado pela Instor (imagem 5), o qual a empresa descreve como sendo um robô autônomo para desinfecção que conseguiram desenvolver com o apoio da FINEP-MCTI no edital do COVID no ano passado.

Imagem 5

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Robô Autônomo Instor

Segundo a Instor, o projeto encontra-se na faze de testes com vírus e bactérias, de modo a se obter laudos de eficiência.

Uma informação que considerei como outro grande feito, seria que ao final do projeto a Instor já terá duas unidades, as quais serão doadas para hospitais parceiros (a serem escolhidos), de modo a iniciarem os testes para estabelecer protocolos de uso.

Diante do que citei, considero que, se por um lado a pandemia está sendo uma grande perda para o mundo, com certeza deve estar ensinando ou alertando o Brasil que depender fortemente de importações ou permanecer no atraso tecnológico (provocado por erradas decisões do passado) levará o país à bancarrota.

Digo isso baseado nos 3 exemplos de projetos de inovação apoiados pelo Governo Federal, através da Finep, a duas empresas de segmentos diferentes.

A SulGesso, que percebeu a importância de associar a fertilização com à menor agressão ao meio ambiente e à dependência de importação de fertilizantes - o que vai ao encontro de uma das prioridades do atual governo (basta ver a iniciativa do MAPA e outros Ministérios e Instituições, citada no artigo).

A Instor, que visualizou a necessidade do Brasil aumentar a sua participação na indústria de robotização (mudando os pífios resultados do país) e, com isso, caminhar para fortalecer a indústria 4.0, através do desenvolvimento dos robôs JAGUAR, que é multifuncional e pode ser usado em qualquer indústria e o JACI, que foi desenvolvido para o segmento de desinfecção hospitalar e, assim, contribuir para este frágil momento da humanidade.

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