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12-Nov-2019 12:00 - Atualizado em 12/11/2019 13:33
Processamento

Problemas ambientais de frigoríficos preocupam investidores

Pesquisa da FAIRR, associação de investidores que somam US$ 19 trilhões, levanta preocupações com a falta de gestão de emissões de gases de efeito estufa, desmatamento e uso de antibióticos

As gigantes latino-americanas de carne estão deixando a dever na gestão de riscos ambientais relacionados ao próprio negócio, como redução da oferta de água, alerta a FAIRR Initiative, associação de investidores institucionais, com US$ 19 trilhões sob gestão, que estuda as companhias abertas do setor usando filtros de sustentabilidade. Por outro lado, a FAIRR destaca uma importante oportunidade de crescimento das “proteínas alternativas” na região. 

O Coller FAIRR Protein Producer Index estuda as 60 maiores companhias de capital aberto do mundo nos setores de carne e peixe. Hoje, é publicada uma edição região enfocando nove dessas empresas, com sede no Brasil, Chile, México e Colômbia, que somam US$ 30,77 bilhões em capitalização de mercado.  

O Index ressalta um salto no investimento em “proteínas alternativas”. A expectativa é que o mercado de proteínas de origem vegetal abocanhe cerca de 10% do mercado global de carne em 15 anos.1

Quatro gigantes - JBS, BRF, Marfrig (as três do Brasil) e Grupo Nutresa (Colômbia) - anunciaram investimentos ou novos produtos em proteínas alternativas neste ano. 

Se estes movimentos respondem apenas a tendências de consumo ou se estão direcionados para a construção de um modelo de negócio mais resiliente, com diversificação de seus portfólios, é algo que os investidores deveriam observar.

Porém, o setor de pecuária tem resultados ruins nos demais critérios de sustentabilidade, incluindo emissões de gases de efeito estufa, desmatamento e antibióticos, como o Index aferiu. Entre as preocupações salientadas, estão:

Emissões de gases de efeito estufa: Seis empresas (Salmones Camachanca, BRF, Empresas AquaChile, Minerva, Grupo Bafar e Industrias Bachoco) são avaliadas em “alto risco” neste tema, ou seja, divulgam pouquíssimo ou nada sobre as metas de emissão de gases em suas operações e cadeias de negócios. Apenas uma companhia, a Marfrig, faz um inventário completo das emissões, incluindo as resultantes de plantações que alimentam os animais. 
Desmatamento: Quatro companhias (Minerva, Grupo Nutresa, Grupo Bafar e Industrias Bachoco) são classificadas em “alto risco” neste tópico porque não dão informações sobre os riscos de desmatamento relacionado a suas cadeias produtivas. No Brasil, três das maiores produtoras de carne bovina - JBS, Marfrig e Minerva - assumem compromisso de evitar o desmatamento da Amazônia. Contudo, seu compromisso e a rastreabilidade de seus produtos parece estar limitada a fornecedores diretos. Além disso, nenhuma das empresas lida com os riscos de desmatamento da vegetação do Cerrado, onde é plantada muita da soja exportada para a China e a UE.
Antibióticos: Três companhias (Minerva, Grupo Bafar e Grupo Nutresa) são classificadas como “alto risco” nesta linha por não ter políticas para uso de antibióticos e não informar as quantidades e tipos usados em suas fazendas. Isto acontece apesar do surgimento de pontos de resistência antimicrobial na costa sul do Brasil e em torno da Cidade do México2. 

Redação AI/SI
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