23-Nov-2017 13:24 - Atualizado em 23/11/2017 13:53
Comentário

Quem é e o que faz um conselheiro de empresas?

Muitas das grandes empresas brasileiras que têm conselheiros com mandatos curtos devem fazer este tipo de questionamento no ano que finda. O momento é importante para a gestão corporativa, pois o conselho é o órgão máximo na administração. Dada à importância, a definição de quem deve ocupar esse cargo nobre hoje é acompanhada com maior destaque nas empresas. Em geral, o conselheiro é um profissional rodado, com experiência no comando de uma companhia. Pode ser um acionista, um executivo que fez carreira na organização ou alguém que se destacou no mercado e foi contratado ao cargo. Como há vagas reservadas para gente de fora da empresa, à função passou a ser incluída como uma opção possível de carreira — para poucos, é verdade, mas possível. 

Conselhos de administração, ou boards, consistem em uma espécie de colegiado e surgiram na década de 1980 nos Estados Unidos e Inglaterra para alinhar interesses de acionistas à gestão executiva. Companhias de capital aberto, sociedade anônima (SA), instituições financeiras e seguradoras são obrigadas por lei a ter conselheiros. Muitas empresas fechadas (limitadas) estão preocupadas com boas práticas de governança e, tendo em vista a possível abertura de capital no futuro, estão criando conselheiros. O board tem como principal função representar acionistas e investidores, sendo responsável pela estratégia e por assegurar a longevidade do negócio.

Nos Estados Unidos, é comum o presidente da companhia acumular cargos no conselho e no corpo executivo. No Brasil, esta prática não é bem-vista, criando um conflito de interesse. A eleição do presidente normalmente se dá por votação nas assembleias de acionistas e a escolha dos conselheiros é por decisão do board, geralmente a convite do presidente, cuja função é analisar relatórios que recebe com antecedência e opinar sobre eles nas reuniões.

Perfil maduro

Por se tratar de posições seniores, a faixa etária dos conselheiros varia de 50 a 70 anos, sendo assim muitos fazem disso um pós-carreira. Em via de regra, o profissional já está do meio para frente da carreira executiva ou está aposentado. Dificilmente uma pessoa é convidada a fazer parte de um conselho antes dos 50 anos, a não ser que esteja representando acionista e seja parte do conselho, mas o que conta é experiência, não idade.

Muitos aprendem mais do que contribuem, mas em questões de operação, cultura e dia a dia do negócio a maturidade contribui também. Para fazer parte do board, não é preciso ser acionista nem estar no quadro da companhia. Em empresas de capital aberto e composição pulverizada, ou seja, sem controlador, busca-se um profissional do mercado indicado pelos acionistas ou por consultorias de headhunters, depois votados em assembleia.

Essa busca, ainda acontece muito por networking. O processo de seleção está em evolução, saindo de atração por vínculos prévios para atração por competências e experiências específicas. De acordo com Heidrick & Struggles, apenas 5% é para colocação em conselhos. Nos Estados Unidos, já existe mercado a esse propósito. Aqui ainda é raro, mas com perspectivas de melhoras, concomitantemente com melhora de nossa economia.

 

Redação

Valter Bampi

Médico veterinário, professor universitário, especialista avícola e diretor da Bampi Consultoria.

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