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21-Mar-2019 11:09 - Atualizado em 21/03/2019 13:32
Comércio Exterior

Senadora Katia Abreu envia carta ao Itamaraty sobre mercado chinês

Na carta, senadora alerta  para o impacto negativo de uma eventual ruptura com o país traria para o agronegócio

Na quarta-feira (20/03) a senadora Katia Abreu, enviou uma carta ao Itamarary alertando sobre o impacto negativo de uma eventual ruptura com o país traria para o agronegócio.

Ex-ministra da Agricultura e também ex-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Katia diz que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, espalhou insegurança ao fazer a afirmação “nós queremos vender soja e minério de ferro, mas não vamos vender nossa alma para a China”.

Kátia lembrou que mais de 80% da soja brasileira exportada tem a China como destino. “Temos de lutar para ter proximidade com outros países, como estamos fazendo com relação aos Estados Unidos, mas sem pôr em risco o que conquistamos na Ásia. Nãoé justo que o senhor venha causar desassossego e provocar turbulências com declarações que podem tirar uma grande fatia do nosso mercado”.

Ela também solicita na carta que o ministro para manter e ampliar as relações com o país asiático. “Li que o senhor é um homem temente a Deus. Também tenho fé e peço-lhe que reze, em português e em mandarim, para manter e ampliar nossas relações comerciais com a China. É a coisa certa a fazer”, finalizou.

Confira o texto do documento na íntegra:

Sr. Ernesto Araújo, Min. Relações Exteriores

Como Senadora da República e na condição de defensora incondicional da Agropecuária brasileira, venho manifestar imensas preocupações diante da incerteza que paira sobre o futuro dos negócios do Brasil com a China.

Ao afirmar que “nós queremos vender soja e minério de ferro, mas não vamos vender nossa alma para a China — e questionar se a relação com o país é benéfica —, o Senhor espalhou a semente da insegurança na economia brasileira.  Não é justo que o Senhor venha causar desassossego e provocar turbulências com declarações que podem nos tirar uma grande fatia do nosso mercado.

Mais de 80% da soja brasileira é exportada para os chineses. Temos de lutar para ter proximidade com outros países, como estamos fazendo em relação aos Estados Unidos, mas sem pôr em risco o que conquistamos na Ásia.

Nossas exportações agrícolas ultrapassam os US$ 102 bilhões ao ano, com superávits comerciais anuais superiores a US$ 88 bilhões. Estima-se que a safra agrícola deve, neste ano, alcançar 230,7 milhões de toneladas, a segunda maior da história desde 1975.

O maior responsável por este êxito é o agricultor. Graças a ele, nossa Agropecuária é mundialmente reconhecida pela excelência. Foi uma conquista de anos e anos de trabalho.

Diferentemente dos nossos competidores, temos uma infraestrutura de transporte abaixo da crítica. Nossos portos estão entre os menos eficientes do mundo, a carga tributária dos insumos é altíssima e os juros são exorbitantes.

Conheço o setor agropecuário. Fui presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e fui ministra da Agricultura. Estive na China e em outros países para ampliar nossas vendas.

Tenho quase três décadas de vida pública voltada para a defesa da nossa agricultura - que representa a melhor chance do nosso Brasil avançar em direção a uma vida melhor para a maioria da população que se confronta diariamente com dificuldades quase intransponíveis

Esse setor gera mais de 30 milhões de empregos diretos no país e responde por mais de R$ 1,4 trilhão de ganhos à nossa economia.

Sr. Ministro Ernesto Araújo, li que o senhor é um homem temente a Deus. Também tenho fé e peço-lhe que reze, em português e em mandarim, para manter e ampliar nossas relações comerciais com a China. É a coisa certa a fazer.

Atenciosamente,

Senadora Kátia Abreu"

 

Caroline Mendes/Redação AI/SI
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