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22-Out-2020 09:59 - Atualizado em 22/10/2020 10:27
Inovação

Startup recebe aporte da Fapesp para criar produtos contra o cascudinho da granja

Startup direcionará R$ 650 mil ao desenvolvimento de um inseticida biológico para o controle do besouro cascudinho da granja

Uma startup de Ribeirão Preto espera crescer com o lançamento de produtos para o controle de pragas que afetam a avicultura. A Devoy recebeu R$ 810 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para mirar tanto o setor avícola quanto a apicultura. Segundo o Valor Econômico, a empresa, fundada em 2015, recebeu R$ 1,8 milhão em investimentos privados e R$ 960 mil em recursos públicos. A expectativa da startup é atingir a marca de mil fazendas atendidas com seus produtos biológicos.

A empresa funciona em um laboratório de 80 metros quadrados no Supera Parque de Inovação e Tecnologia, instalado no campus da USP em Ribeirão Preto, onde fabrica produtos suficientes para tratar 1,7 milhão de cabeças bovinas por mês.

Seus produtos utilizam como princípio ativo esporos de fungos inimigos naturais dos carrapatos. As aplicações precisam ser feitas no rebanho e na pastagem, porque é no capim que ficam 95% dos carrapatos de uma propriedade.

Na Fazenda da Toca, em Itirapina (SP), onde o produtor Luís Fernando Laranja mantêm 450 vacas leiteiras, sendo 200 em lactação, o produto da Decoy foi o que permitiu continuar com a produção orgânica, que ele iniciou há 3,5 anos. “Em uma infestação cheguei ao ponto de contratar uma pessoa para pentear as vacas com um pente de escovar cavalos. Mas, mesmo assim, algumas faleceram de tristeza parasitária bovina”, conta.

A produção de leite, que estava na média de 12 litros por vaca por dia na época, se normalizou com a melhora do quadro da doença em 21 litros por dia. “Nossa produção agora é compatível com bons sistemas de produção no Brasil; economicamente viável, com margens de 20%, e não gera ônus para a saúde dos animais”, diz.

No Brasil, seja para a produção orgânica ou convencional, o carrapato gera prejuízos da ordem de R$ 10 bilhões por ano à pecuária, segundo o Ministério da Agricultura. Enquanto aguarda aprovação da Pasta para venda de seu produto comercialmente, a Decoy trabalha em sistemas de parceria com produtores, em que troca informações sobre os resultados dos tratamentos e uma ajuda de custo para o desenvolvimento de pesquisas por seus produtos. A expectativa é que o lançamento comercial da linha contra carrapatos ocorra no ano que vem.

Os novos projetos da Decoy também estão a caminho. Dos R$ 810 mil recebidos da Fapesp em 2020, a startup direcionará R$ 650 mil ao desenvolvimento de um inseticida biológico para o controle do besouro cascudinho da granja (Alphitobius diaperinus), que causa prejuízos à avicultura, e outros R$ 160 mil para pesquisa de um produto biológico contra ácaros (Varroa destructor). Estes ácaros parasitam colmeias de abelhas da espécie Apis mellifera e têm contribuído para o desaparecimento delas.

Redação, com informações do Valor Econômico
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