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Uso de antissalmonelas em matérias-primas e rações: uma visão prática e suas aplicações

A Salmonella é uma bactéria comum e resistente, mesmo com baixos índices de umidade. Conheça algumas medidas que devem ser adotadas para controlar a contaminação e proliferação em matérias-primas e rações

Jorge Kracker

Zootecnista especialista em avicultura e processos fabris de ração, Gerente Técnico da Divisão Animal - BTA Aditivos

11-Mai-2021 15:32 - Atualizado em 02/06/2021 09:42

Diante da necessidade de melhorar o controle microbiológico na cadeia de produção animal, principalmente na avicultura e suinocultura, fabricantes de ração têm aliado o uso de conservantes, como os antissalmonelas, a outros Pontos Críticos de Controle (PCC), como o tratamento térmico.

Estratégias de controle microbiológico bem traçadas podem definir a qualidade do processo, principalmente, frente ao mercado externo. O tratamento químico pode ser um aliado essencial no processo de eliminação ou na redução de patógenos em matérias-primas, rações, equipamentos e ambientes de produção.

 

Aditivos conservantes na peletização para o controle de microrganismos

Os antissalmonelas são aditivos conservantes utilizados em matérias-primas e rações para o controle da Salmonella e demais enterobactérias. O tratamento químico com antissalmonelas pode agir de maneira distinta, tendo efeito bactericida ou bacteriostático, dependendo da dose utilizada e do princípio ativo.

Os aditivos conservantes podem ser à base de formaldeído, ácidos e sais orgânicos ou ainda em forma de blends e utilizados amplamente no mercado. O objetivo é reduzir ou eliminar bactérias, fungos e outros patógenos que possam contaminar matérias-primas e rações e que servirão de alimento para as criações comerciais e também aos animais de companhia.

Estes produtos são dosados em matérias-primas como farinhas de origem animal, farelos e cereais, bem como, nas rações. Algumas matérias-primas como o farelo e casca de soja devem passar por tratamento químico, pois apresentam importantes índices de contaminação. Esta é uma preocupação comum nas farinhas de origem animal, que historicamente, tem percentuais mais altos de contaminação. Porém, as Fábricas de Farinhas e Óleos (FFO) vêm trabalhando muito com medidas de controle de contaminação nos seus processos, aliados ao tratamento químico, com resultados microbiológicos satisfatórios comparados às realizadas nas matérias-primas de origem vegetal.

Dependendo do tamanho e da condição de cada fábrica, normalmente a dosagem de antissalmonelas é líquida e aplicada em rações nos misturadores. É possível também adicionar o antissalmonela líquido em matérias–primas de origem vegetal ou animal ou no momento do recebimento na fábrica de rações. A dosagem pode ser ainda de produtos em pó, de forma manual ou automática. Tão importante quanto a dosagem, é ter equipamentos e sistemas de dosagens adequados e dimensionados para o processo, para que a quantidade de produto acrescentada ocorra de forma correta e precisa.

Os aditivos são inseridos também em outras etapas do processo e de forma conjunta com o tratamento térmico, ou seja, são dosados na alimentação da peletizadora até que as rações atinjam a temperatura desejada (geralmente em torno de 80 a 82°C) para aquele Ponto Crítico de Controle.

 

Uso de antissalmonela no pós-pellet

Nas fábricas de rações podem existir pontos de recontaminação após a peletização. Neste caso, é possível adicionar antissalmonelas na etapa de resfriamento das rações. Isto porque o ar que é utilizado para este fim, geralmente não é tratado e, na maioria das vezes, é coletado em áreas de produção próximas ao resfriador, que também podem estar contaminadas. Para os principais antissalmonelas encontrados no mercado é indicada a utilização da dosagem entre 1 a 4 kg/Ton.

 

Saltech Sani Pró para o controle microbiológico

O uso de antissalmonelas para a desinfecção de equipamentos, ambientes e caminhões de transporte de ração e matérias-primas, também é fundamental para um controle mais efetivo, visto que equipamentos que não são limpos e desinfetados adequadamente podem contaminar ou recontaminar ingredientes e rações.

Os sais de ácidos orgânicos são uma inovação no mercado e uma excelente alternativa ao uso de produtos à base de formaldeído pela baixa corrosividade e segurança na aplicação. Em trabalho realizado pela BTA Aditivos em uma fábrica de rações para frangos de corte, foi utilizado o produto Saltech Sani Pró no controle microbiológico de equipamentos e ambiente. Nesta análise foram avaliados os seguintes microrganismos: Salmonella (presença e ausência), enterobactérias, bolores, leveduras, fungos totais e Escherichia coli (UFC/ml).

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A dosagem utilizada neste trabalho foi de 1 kg/25 m², aplicada com atomizador. As coletas, através de swabs, ocorreram antes e depois da aplicação de Saltech Sani Pró e tempo de ação de 30 minutos. Foi realizada a limpeza anteriormente, em todos os pontos coletados. Como é possível observar na tabela acima, houve a manutenção ou redução de patógenos em todas as partes coletadas após aplicação de Saltech Sani Pró. Para Salmonella, não foi encontrada positividade nos dois tratamentos.

O uso destes produtos para o controle microbiológico de ingredientes, rações e também para a desinfecção em fábricas é uma ferramenta muito importante. Uma equipe técnica treinada e com conhecimento pode auxiliar o fabricante a encontrar a alternativa antissalmonella mais adequada em cada situação, observando mercado, custo, segurança e efetividade.

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