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12-Fev-2020 08:49
Paraná

VBP da pecuária compensa perdas nas lavouras em 2019

Com recordes históricos, VBP do frango, leite, bovinos e suínos no PR foram os destaques positivos de 2019

O estado do Paraná terminou 2019 com desempenhos bens distintos no campo. Impulsionada por recordes de seus produtos, a pecuária paranaense obteve um desempenho excelente, com faturamento 14,2% maior em relação a 2018, passando dos R$ 34,6 bilhões. Este aumento de receita compensou as perdas amargadas nas lavouras. Principalmente em decorrência da quebra da safra de soja, a agricultura do Estado viu seus ganhos encolherem 8,2%, ficando na casa dos R$ 41,2 bilhões. Em termos gerais, o setor agropecuário do Paraná produziu o equivalente a R$ 75,8 bilhões, com leve alta de 0,8%.

Os valores correspondem ao Valor Bruto da Produção (VBP), calculado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com base na produção e nos preços recebidos pelos produtores rurais nas principais praças do país. O levantamento leva em conta o período que vai do início do quarto trimestre de 2018 ao fim do terceiro trimestre de 2019.

Para os técnicos do Sistema FAEP/SENAR-PR, o bom momento da pecuária tem relação direta com a demanda internacional aquecida, principalmente por países asiáticos – onde um surto de Peste Suína Africana (PSA) dizimou o rebanho, com o abate sanitário de quase 8 milhões de animais. O aumento acentuado da demanda externa alavancou a produção de proteínas no Paraná e, de quebra, também trouxe reflexos nos preços de alguns produtos no mercado interno, como bovinos e suínos.

“A pecuária paranaense experimentou, em 2019, um dos melhores anos de sua história. Entre os fatores, o aumento dos abates para atender o mercado internacional foi a tônica neste processo. Como consequência do aumento da exportação, houve escassez de proteína no mercado interno, o que impulsionou os preços, que, mais uma vez, alimentaram o aumento da produção”, aponta Luiz Eliezer Ferreira, técnico do Departamento Técnico Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR.

“O ano passado foi um bom ano para o comércio internacional das proteínas brasileiras. Diante da PSA que assolou o rebanho asiático, o Brasil reuniu todos os requisitos necessários para aumentar sua participação no mercado. Temos um produto de qualidade, seguro e com preços competitivos, o que fez com que o volume de carnes exportado aumentasse em 5,8% e, em valores, houve um incremento de 12,5%”, diz o técnico Guilherme Souza Dias, do DTE.

O melhor desempenho do campo paranaense ficou com o frango, que obteve faturamento de R$ 21 bilhões, ultrapassando a soja. As cifras representam um aumento de 15% em relação a 2018, puxadas principalmente pelo aumento da produção. Com câmbio favorável, o produto obteve um aumento de 5% no valor recebido pela tonelada exportada. Na curva da evolução, chama a atenção o fato de o desempenho do produto da avicultura ser constante: ao longo da década, a expansão do VBP do frango chegou à casa dos 70%.

“Conforme dados da Apinco [Associação Brasileira de Produtores de Pinto de Corte], o número de pintos de corte alojados aumentou 11,6% entre janeiro e novembro de 2019. Além disso, das 47 unidades brasileiras de abate habilitadas para exportar para a China, 14 são paranaenses. O Estado foi responsável por 50,4% do volume exportado para esse destino em 2019, um incremento de 75% no volume e 92,68% na receita, comparando com os valores de 2018”, destaca Mariana Assolari, técnica do Departamento Técnico (Detec) do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Além disso, outros produtos da pecuária com peso expressivo no VBP da agropecuária paranaense também deslancharam em 2019, batendo recordes, como leite (com faturamento de R$ 4,8 bilhões), bovinos (R$ 3,8 bilhões) e suínos (R$ 3,6 bilhões). Destes, a suinocultura é a que mais cresceu, cujo VBP avançou 21,9% em comparação com 2018. Como a produção de suínos se manteve estável, o faturamento maior corresponde a maiores valores de comercialização.

Expectativas

Para 2020, as perspectivas para os produtos pecuários paranaenses também são bastante positivas, sobretudo em razão da demanda internacional, que deve se manter alta. Os países asiáticos, principalmente a China, ainda devem demorar alguns anos para repor seus rebanhos de suínos e, consequentemente, normalizar a produção.

“Devemos ter aumento nas exportações das três principais proteínas animais (bovinos, suínos e aves). O Brasil é grande produtor destas carnes e possui potencial de aumento da produtividade”, destaca Ferreira, do Sistema FAEP/SENAR-PR. “Internamente, a atenção em 2020 se voltará para os custos de produção. O preço da ração deverá se manter apreciado. Resta saber se o aumento de receitas, advindas principalmente das exportações, será suficiente para compensar os incrementos de custo de produção”, questiona.

 

Redação AI/SI
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